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Níveis de consciência do tipo 7

Níveis de consciência, tipo 7: o novo já não é escolha

Em que degrau, e olhando para que lado? O resultado dá uma faixa, e uma faixa tem três degraus de largura. Aqui está a escada inteira do 7, degrau por degrau, com as duas fronteiras onde a faixa muda de mãos e perguntas para achar a fronteira em você, não numa descrição. Nos nove você continua um 7. No fundo o apetite não virou outra coisa; só parou de obedecer.

01

Os nove níveis

  1. Nível 1

    Fartura do que já há

    O apetite se sacia com o que já está na sala: o 7 pega o que acontece por inteiro e não guarda atenção para o seguinte. O novo ainda alegra, mas deixa de ser condição da alegria. O sinal: ele volta ao mesmo restaurante, pede o mesmo prato e sai contente, sem ter visto o cardápio.

  2. Nível 2

    Alegria repartida

    O apetite é dado às pessoas como humor: o 7 traz vida à sala sem exigir que a sala o sustente em troca. O tropeço é sentido rápido e com honestidade, sem desvio. O sinal: ele conta o que deu errado na viagem antes de contar o que deu certo, e ri das duas partes.

  3. Nível 3

    Amplitude levada ao fim

    O apetite vira trabalho: o 7 pega muita coisa diferente e leva cada uma até funcionar, porque o que o interessa é o resultado, não só a largada. Sabe mais ofícios que qualquer um na mesa e não insiste em nenhum. O sinal: o projeto de dois anos atrás ainda está de pé, e ele ainda mexe nele.

  4. Nível 4

    Um olho na porta seguinte

    Primeira volta do parafuso: em algum lugar há melhor, e o apetite começa a procurar fora o que supostamente falta aqui. O 7 ainda faz o que está à frente, mas mantém uma opção reserva aberta e apressa o bom para o fim. O sinal: confere o celular no meio do filme bom, e não por causa do filme.

  5. Nível 5

    Motor da sala inteira

    O apetite agora precisa de plateia: o 7 tem de ter vida em volta e assume o papel de motor que não pode morrer, sem dizer não a nada, seu ou de outro. Há mais coisas andando que horas para segurá-las. O sinal: a agenda da semana tem duas coisas marcadas na mesma hora, e ele vai às duas.

  6. Nível 6

    Apetite por conta alheia

    O apetite vira exigência: mais, mais forte, agora, e quem paga é outro. O 7 faz às pessoas o que menos quer para si: corta e deixa sem, saindo no meio do dia difícil de alguém. O sinal: ele sai do aniversário de um amigo antes do bolo, porque surgiu coisa melhor, e avisa por mensagem.

  7. Nível 7

    Aceleração às cegas

    A fronteira ficou para trás: o apetite deixou de escolher e passou a socorrer. O 7 defende a saída da dor destruindo o que a atrasa: obrigações, dinheiro, pessoas. Tudo é pego de uma vez e sem triagem. O sinal: a passagem é comprada de madrugada, e o chefe fica sabendo pela foto.

  8. Nível 8

    Acelerador travado

    O apetite corre sozinho, sem ninguém ao volante: o 7 já não consegue parar o movimento, porque parar é encontrar aquilo de que fugia, e os atos perdem ligação entre si e com as consequências. O sinal: as caixas das compras chegam fechadas e ficam fechadas no corredor, e chegam mais.

  9. Nível 9

    Parada de tudo de uma vez

    A corrida termina onde termina a força: o apetite foi defendido ao preço de todo o resto, e não sobrou com que defendê-lo. O 7 cancela tudo de uma vez e fica no lugar de onde passou a vida saindo primeiro. O sinal: a porta do quarto fechada, e os convites param de chegar porque ninguém responde.

02

Como começa a descida

  1. com folgaO núcleo é dado livremente
    Primeira fronteira: o livre vira obrigatório
  2. em pé de igualdadeO núcleo é exigido dos outros
    Segunda fronteira: o medo vira verdade
  3. no apertoO núcleo se defende destruindo

A primeira fronteira fica entre o terceiro e o quarto degrau, e o 7 a conhece pelo nome: em algum lugar há melhor. Acima dela o novo é pego quando chega e basta. Abaixo, o novo é exigido. A companhia tem de ser interessante, o plano, ter reserva, a noite, acabar em algo, ou não conta. O primeiro passo parece curiosidade: no meio de algo bom, o 7 o mede contra o que poderia estar havendo e deixa a porta entreaberta, caso a alternativa seja mais viva. Daí em diante nada é vivido até o fim, só até a próxima opção.

A segunda fronteira, entre o sexto e o sétimo, é onde o pior medo do 7 se cumpre: o movimento com que fugia da dor passa a produzir dor. Mais uma viagem, compra ou turma já não levanta nada; machuca, e não há para onde ir, porque ir é a fonte. Depois dessa linha se perde a escolha. O seguinte não é escolhido, é agarrado, e o 7 já não distingue o que quer daquilo de que foge.

03

O que faz subir de volta

  1. com folga
    Segunda volta: não é o mesmo que o alívio
  2. em pé de igualdade
    Primeira volta: o ato que só é possível deste lado da fronteira
  3. no aperto

O 7 não sai do aperto correndo para cima, porque correr foi o que o levou até lá. A única ação que existe só embaixo é nomear a dor da qual fugia, em voz alta, pelo nome, para uma pessoa. No meio não há o que nomear: o 7 sai da sala antes de a dor ter forma. Embaixo a saída falhou, a dor alcançou, e pela primeira vez dá para olhar para ela. A volta ao meio acontece na frase em que o 7 diz o que aconteceu de fato, em vez de para onde vai em seguida.

A volta à faixa com folga difere de ficar mais leve num ponto. No meio fica mais leve toda vez que o seguinte chega, e o meio corre nisso por anos. A fronteira de cima é cruzada quando o seguinte deixa de ser exigido: o 7 fica numa noite sem nada marcado e não confere onde é a saída. O bom que ele recusou não volta como perda, e a pergunta “o que mais tem” deixa de ser feita.

04

Onde você está agora

  1. Livremente, ou porque precisa

  2. Se o medo virou verdade

  3. Para onde você volta depois de uma boa semana e depois de uma ruim

O resultado mostra a faixa, não o degrau

Pegue a última semana e o que houve de novo nela. Você pegou porque apareceu e era bom, ou porque sem aquilo a semana não contaria como vivida? Mais curto: enquanto o bom acontecia, você o comparava com o que poderia estar no lugar? Se a comparação correu sozinha, a primeira fronteira já passou.

Agora a direção da corrida. A última viagem, compra ou saída que você pegou para ficar mais leve: ficou? Ou depois foi pior, você sabia de antemão e pegou a seguinte assim mesmo? Enquanto o novo ainda levanta, a segunda fronteira não foi cruzada. Quando a própria fuga é o que dói, e você vê, e não consegue parar, já passou dela.

E o centro de gravidade. Depois de uma semana boa, você pousa num interesse calmo ou num arranque, para esticar a sorte já? Depois de uma semana ruim, você volta para a análise ou para a compra da passagem? O degrau para o qual volta das duas vezes é o seu, não o em que a semana o pegou.

05

Perguntas

Quanto tempo leva para subir um degrau?

Dois relógios ao mesmo tempo. O degrau de hoje se move em dias: uma semana com três planos cancelados desce o 7 um degrau, uma perda dita em voz alta o traz de volta. O degrau habitual se move em anos, porque é feito de milhares dessas semanas. O relógio que vale ler é o segundo: o primeiro informa o tempo, não o clima.

Um 7 no aperto pode virar outro tipo?

Não. Tipo é o jeito como a pessoa lida com o que lhe é difícil, e nos degraus de baixo o jeito é o mesmo; só já não é escolhido. Um 7 no nono degrau não vira 5 nem 1. Continua um 7 que ficou sem portas. Qualquer parecença com outro tipo lá embaixo é flecha, não troca de número, e é a primeira coisa a ir embora na subida.

Dá para estar em degraus diferentes no trabalho e em casa?

Num trecho curto, dá: no trabalho o 7 segura o quarto degrau e em casa cai para o sexto, onde exigir é mais seguro. A escada é uma, e o centro de gravidade é um degrau: aquele para o qual a pessoa volta quando os dois lugares soltam. A diferença é marca do meio: no topo é pequena, porque o apetite não depende de quem está perto.

Subir quer dizer menos alegria?

Não, e é o único medo do 7 na escada. O que diminui não é a alegria, são as condições dela: nos degraus de cima a alegria deixa de depender do que vem depois, e sobra mais, não menos. Vai embora o trânsito em volta: reservas, pressa, comparação. Um 7 no segundo degrau ri tanto quanto no quinto, só que não para impedir o silêncio.

Dá para pular o meio e voltar direto ao topo?

Não, e a tentativa é reconhecível: parece mais um arranque. De baixo se volta ao meio nomeando a dor; do meio se sobe deixando de exigir o seguinte. São duas ações diferentes, e a segunda não se faz antes da primeira, porque o seguinte não pode deixar de ser exigido enquanto for o único jeito de não encontrar o que alcançou.

Para onde ir agora

Este é o lugar disto na ordem geral. Faça o teste e a ordem se monta a partir de você.

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