enneagramwing

Subtipo instintivo

Eneagrama tipo 2 social (so2): quem indica

Talvez, no celular de meio escritório, o seu número esteja salvo com um “Resolve” depois do nome. Ambição, o nome que a teoria dá ao so2, mora nesse apelido: na quantidade de gente que liga para você antes de ligar para o chefe. Se os instintos saíram próximos, um segundo código do 2 pode aparecer ao lado deste.

  1. principal
  2. segundo
  3. deixado de lado

O código não diz, dos outros dois, qual é o segundo e qual é o deixado de lado

01

O que este instinto protege

  • spcuido do que é meu
  • sosei onde estou entre as pessoas
  • sxme ligo um a um

“Pergunta pra Cida” é a frase mais ouvida no corredor da construtora do Recife onde ela trabalha há dezessete anos. Engenheiro novo sem EPI, contrato de 2016 sumido, motorista precisando de vale: pergunta pra Cida. Num 2 cujo instinto principal é o social, sentir-se em casa é isto: ser o nome que um andar inteiro diz quando não sabe a resposta.

Depois da pandemia vem o trabalho remoto três dias por semana, as dúvidas passam a ir para um robô na intranet, e o celular dela fica quieto às terças. Cida propõe uma coisa só: café da manhã coletivo na segunda, com tapioca e cuscuz. Em dois meses, segunda é o dia de todos no escritório, e o diretor, procurando o açúcar, chama por ela antes de abrir o armário.

Em outubro a filha tem bebê, e Cida passa as madrugadas com o neto para a filha dormir. A pouca força que sobra vai em áudios para o grupo da firma, gravados baixinho com o menino no colo: três minutos para a estagiária sobre a medição da obra de Olinda. A medição sai no prazo, e ninguém sabe que a explicação foi gravada às três da manhã.

02

Como ele tinge o vício emocional do tipo

  • O vício emocional do tipo se expressa para fora através do instinto
  • Contratipo: o vício emocional se volta contra si mesmo

Na firma se diz que QI é “quem indica”, e quem indica é a Cida: o sobrinho do porteiro, a filha da diarista, dois engenheiros da rua dela. Metade dos crachás passou pela mão dela, e a nenhum ela pediu nada. Na so2, o orgulho do 2 é isto: ser de quem vêm as coisas boas de um lugar inteiro e nunca entrar na fila de quem recebe.

O dono da construtora vem de São Paulo entregar um residencial, e todo mundo se oferece para algo. Cida se oferece para buscar a esposa dele no aeroporto e levá-la para almoçar no Recife Antigo. No ano seguinte, o pedido de um plano de saúde melhor sobe pelo WhatsApp dessa senhora. É isso que a teoria chama de ambição na so2: saber a quem oferecer a carona.

No churrasco que comemora o plano novo, o diretor ergue o copo para o gerente de RH, que “negociou com São Paulo”. Cida aplaude primeiro e mais alto. Depois conta o domingo em que a esposa do dono ligou para ela da praia: na mesa do financeiro, na da obra, perto da churrasqueira. Na hora do bolo, o churrasco inteiro sabe por qual telefone o plano passou.

03

Em que se diferencia dos outros dois do mesmo tipo

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  • Contratipo

sp2, privilégio

Contratipo

As duas sabem de cor o aniversário de todo mundo, o do cachorro inclusive.

As duas se mudam no mesmo sábado em que morre o pai de uma colega, com velório em Caruaru. A sp2 manda às primas um “tô morta com essa mudança”, e ao meio-dia tem três pessoas carregando caixa e feijão no fogão. A so2 adia o caminhão, freta uma van para os colegas irem ao velório e se muda na segunda à noite, sozinha, com um carreto.

Quando a sua semana já pesa e a de alguém do grupo pesa mais, o que você arranja primeiro: ajuda para você ou para essa pessoa?

sx2, sedução

As duas chamam a moça do cafezinho pelo nome e sabem o nome dos filhos dela.

As duas começam no mesmo mês na administração de um shopping. Em três meses, a so2 sabe o nome de todos os lojistas do piso, é chamada às reuniões do superintendente “porque conhece todo mundo” e monta a recepção dos novatos. A sx2, em três meses, conquista uma pessoa só: o gerente de manutenção, rabugento, que não falava com ninguém e agora só almoça com ela.

Depois de três meses num lugar novo, o que diria a você que chegou: o piso inteiro chamando pelo nome ou uma pessoa difícil que só se abriu para você?

04

O lugar na ordem e o instinto deixado de lado

  1. so/sp/sx
    1. so
    2. sp
    3. sx
  2. so/sx/sp
    1. so
    2. sx
    3. sp

Com este instinto como principal, há duas ordens possíveis

O diretor oferece à Cida a chefia de contratos na sede nova: sala com porta, trinta por cento a mais e ninguém batendo para perguntar do EPI. Ela recusa no mesmo dia; quem responde é o social, o instinto principal dela. No ano seguinte, troca o telhado de casa com um consignado descontado do salário de sempre.

Há sete anos Cida vende dez dias de férias todo janeiro e passa os outros vinte com o celular ligado na areia. Em agosto, a pressão dá dezesseis por dez, o médico dá cinco dias de atestado, e ela os passa respondendo o grupo. Com a autopreservação deixada de lado, o orgulho do 2 sabe quanto cimento resta em três obras e não faz ideia de quanto resta nela.

O marido opera a coluna e passa um mês no sofá. Cida arruma a fisioterapeuta, a cadeira de banho, a escala do almoço, e a sala enche de visita toda tarde. Numa noite, ele diz que sentiu falta dela o mês inteiro, e ela não entende: esteve ali todo dia. Com o sexual deixado de lado, o orgulho do 2 confunde estar junto com providenciar.

05

O que o teste mostra

  1. Tudo se abriu: subtipo e ordem completa

  2. O segundo e o deixado de lado quase empatam: subtipo sem a ordem

  3. O principal e o segundo quase empatam: dois candidatos

Entre os quatro resultados, o instinto é o que este teste mede com menos precisão, e não escondemos isso. Em cerca de metade das pessoas a diferença não se abre, e aí mostramos dois candidatos em vez de um. Nas respostas, a so2 se reconhece de imediato no que descreve calor: perceber do que o outro precisa antes de ele pedir, ficar próxima de alguém em pouco tempo, dar muito de si. Esse vocabulário é o de quem vive para um vínculo a dois, o do sexual. Daí o sx2 que aparece ao lado no resultado, e nem sempre atrás.

06

Perguntas

Por que me incomoda quando resolvem tudo sem mim?

Voltar de férias e achar a mesa em ordem deveria ser alívio, e o que chega primeiro é uma pontada: quinze dias e o telefone não tocou. Para quem tem o social como principal, esse silêncio soa como aviso prévio. Na volta, pergunte o que cada um aprendeu a resolver sozinho; quem aprendeu isso segue ligando, para coisas maiores.

Por que sinto ciúme quando duas pessoas que apresentei ficam amigas?

No começo, a notícia de uma chegava à outra por você. Um dia, uma delas conta uma novidade da outra que você ainda não sabia, e o ciúme aparece. Para a so2, apresentar é um jeito de ser necessária, e essa amizade dispensou o serviço. Chame as duas para um café e conte como foi a apresentação: o começo da história continua seu.

Como sair de algo que passou anos pelas minhas mãos?

Aposentadoria, emprego novo, fim de mandato: para a so2, sair tem gosto de sumir, depois de anos sendo a resposta. Escreva o caderno que só existe na sua cabeça: quem liga para quem, qual fornecedor atende no domingo, onde está o contrato de 2016. Toda vez que alguém achar ali uma resposta, vai lembrar de quem escreveu.

Por que peço pelos outros com facilidade, e por mim nunca?

Pelo colega, você liga cinco vezes para o INSS até sair o auxílio; o próprio aumento, em dezessete anos, nunca pediu. O orgulho do 2 aguenta um não em nome de outra pessoa. Em nome próprio, o não parece medir quanto você vale. Faça o seu próximo pedido como faria o de um colega: por escrito, com data e com o nome de quem decide.

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