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Subtipo instintivo

Eneagrama tipo 7 social (so7): a última coxinha

Sacrifício? A palavra pesa, e está no so7, colada a um gesto que parece leve: dar. Na mesa, a última coxinha é sempre de outro, e você empurra o prato sem pensar: dar a coxinha é a parte boa. Se o resultado acertou, esse gesto pode ter um preço que você ainda não notou.

  1. principal
  2. segundo
  3. deixado de lado

O código não diz, dos outros dois, qual é o segundo e qual é o deixado de lado

Contratipo: o vício emocional se volta contra si mesmo

01

O que este instinto protege

  • spcuido do que é meu
  • sosei onde estou entre as pessoas
  • sxme ligo um a um

O so7 toca triângulo num trio de forró pé de serra. No palco do Forró Caju, em Aracaju, ele pede que os três fiquem na mesma linha, nenhum à frente, e o cachê é dividido em três partes iguais desde o primeiro show. Esse 7 quer o prazer de tocar, mas sem ficar um degrau acima de ninguém.

Quando o trio fecha o primeiro contrato grande, o produtor quer o so7 na frente, cantando: a voz dele vende. O so7 aceita cantar com uma condição: no cartaz, os três nomes do mesmo tamanho, e o nome do trio acima de todos. O produtor ri e manda imprimir assim.

Na temporada junina, com trinta shows em vinte dias, o cachê dá para hotel. O so7 dorme na van com os outros dois, num colchonete entre as caixas de som, porque é ali que o trio dorme, e acorda primeiro para comprar café para os três na rodoviária de cada cidade.

02

Como ele tinge o vício emocional do tipo

  • O vício emocional do tipo se expressa para fora através do instinto
  • Contratipo: o vício emocional se volta contra si mesmo

No Mercado Antônio Franco, o so7 compra uma fruta de cada barraca, cajá, mangaba, seriguela, umbu, e divide na roda dos músicos, um pedaço para cada um. A dona da banca de cajá já separa o saco grande quando o vê chegar. A gula de experiência quer tudo; nele, só prova o que dá para repartir.

Um trato antigo rege o so7: cada prazer dele precisa vir com um para alguém. Comprou a sanfona italiana no mesmo dia em que pagou o curso de zabumba do sobrinho; marcou as férias em Maragogi na semana em que levou a mãe ao oftalmologista. O sacrifício dele funciona como contrato, e ele nunca assina só por um lado.

Quando os pais fazem cinquenta anos de casados, o so7 junta dois anos de cachê e os leva ao Rio, no primeiro voo da vida deles. No Cristo, ele não olha a vista: olha a mãe olhando. No fim da tarde, tem cento e vinte fotos do rosto dela e nenhuma da baía. A gula de experiência continua inteira nele, mas come pela boca dos outros; o social decide por onde o prazer entra.

03

Em que se diferencia dos outros dois do mesmo tipo

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  • Contratipo

sp7, círculo próprio

Feira de rua nenhuma passa despercebida pela sp7 e pelo so7. O Carnaval chega com quatro dias livres. A sp7 aluga uma casa para os seis de sempre, com quarto marcado para cada um e o roteiro dos blocos impresso. O so7 vira voluntário no posto de água do bloco do bairro e passa os quatro dias servindo quem passa. Com quatro dias na mão, você fica com os seus de sempre ou com quem aparecer precisando?

sx7, fascínio

Convite de última hora, o so7 e o sx7 aceitam antes de saber o lugar. Um forró pé de serra antigo volta a tocar na orla de Atalaia, por uma noite só. O so7 junta a turma do trio, as mulheres, os filhos, e passa a noite apresentando um ao outro e buscando cerveja para a mesa. O sx7 dança a noite inteira com a mesma pessoa e só nota o fim quando a banda guarda os instrumentos. Numa noite assim, de quem você lembra quando chega em casa: de todos que juntou ou de quem dançou com você?

04

O lugar na ordem e o instinto deixado de lado

  1. so/sp/sx
    1. so
    2. sp
    3. sx
  2. so/sx/sp
    1. so
    2. sx
    3. sp

Com este instinto como principal, há duas ordens possíveis

O único dia de folga da temporada junina cai num domingo, e o corpo do so7 pede cama. O hospital infantil chama o trio para tocar no pátio, de graça, e a ordem dele começa pelo social, o principal: ele vai. A febre que vinha segurando estoura na segunda, e ele perde dois shows pagos.

Na temporada passada, nenhum cachê do so7 chegou inteiro ao fim do mês: virou rodada para a turma, presente para alguém, ajuda no aluguel de um colega. Quando a van do trio quebra de vez, é o zabumbeiro quem tem o dinheiro do motor. A autopreservação, deixada de lado, não aparece nas contas dele, e a gula gasta tudo onde a festa é dos outros.

Casados há onze anos, o so7 e a mulher não têm uma música deles. Numa noite de chuva, sem show, ela pede que ele toque alguma coisa só para os dois. Ele pensa a noite inteira e só lembra das que tocam no salão. A ordem pode ser outra, e o deixado de lado pode ser o sexual, o único que teria uma canção; a gula colecionou forrós para o salão inteiro, nenhum só dos dois.

05

O que o teste mostra

  1. Tudo se abriu: subtipo e ordem completa

  2. O segundo e o deixado de lado quase empatam: subtipo sem a ordem

  3. O principal e o segundo quase empatam: dois candidatos

Entre os quatro resultados, o instinto é o que este teste mede com menos precisão, e não escondemos isso. Em cerca de metade das pessoas a diferença não se abre, e aí mostramos dois candidatos em vez de um. O so7 descreve a própria vida pelo que o acende, seja um projeto que tira o sono, um hobby que vira obsessão ou a mania de se jogar inteiro no que aparece. Essa linguagem de intensidade, porém, é a do sexual, e o principal pode chegar com uma marca de pouca certeza.

06

Perguntas

Por que fico sem jeito quando os amigos se juntam para me dar um presente?

A vaquinha inverte a sua posição na roda: em vez de quem organiza, você é quem recebe, e logo de todos ao mesmo tempo. Ser igual aos outros é o seu conforto; esse destaque pesa como uma dívida coletiva, e a mão já procura a carteira para pagar a próxima rodada. O incômodo vem daí, e não de falta de gratidão.

Por que me entedio onde todo mundo já está bem?

Onde todos já estão bem, a gula do 7 fica sem trabalho: não há quem alimentar, o que organizar, quem animar. Ficar só aproveitando parece levar sem trazer nada. Por isso você acaba no quintal, cuidando da churrasqueira de outra pessoa, ou ensinando a coreografia às crianças.

Por que não gosto de me exibir com as férias, mesmo quando foram ótimas?

Uma viagem mostrada em detalhe expõe o que você pegou para si, e entre os amigos deve haver alguém que passou o mês trabalhando. Diante dessa pessoa, o álbum parece cobrança. A sua viagem, então, volta em versão de mesa de bar: uma história engraçada, uma lembrancinha para cada um, nenhuma foto de piscina.

Por que prometo ajudar mais do que consigo cumprir?

Ajudar é a aventura que ninguém critica: entra na sua agenda como entraria uma viagem, só que sem culpa, porque é para os outros. Assim o mês junta mais “pode deixar” do que dias, e vão na frente as promessas com mais gente na fila.

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