enneagramwing

Subtipo instintivo

Eneagrama tipo 9 autopreservação (sp9): fome sem nome

O resultado chama o sp9 de apetite, quando a sua vontade, pelo que você sente, mal passa do necessário. Quanto custa, por mês, o seu conforto, o travesseiro certo, o ventilador de teto, a cortina blecaute? O resultado pode ter trocado os três 9 entre si; ainda assim, vale a pergunta: onde mora uma fome que só se permite o necessário?

  1. principal
  2. segundo
  3. deixado de lado

O código não diz, dos outros dois, qual é o segundo e qual é o deixado de lado

01

O que este instinto protege

  • spcuido do que é meu
  • sosei onde estou entre as pessoas
  • sxme ligo um a um

Os primeiros quarenta minutos do dia do sp9 são da cuia: térmica, erva, a cadeira de fio na área, ninguém acordado. Ele não pensa em nada. Esses minutos são o amortecedor do dia, e o que vier depois bate ali primeiro. Corpo sem tranco ele consegue sem pedir a ninguém que fale baixo, coisa bem de 9.

O filho volta a morar em casa depois da separação e passa a acordar às cinco, querendo companhia para o mate e para falar da vida. Por uma semana, o sp9 acorda às quatro para chegar antes do filho e cochila no serviço. Depois deixa na área uma segunda cuia, já curada, e uma cadeira ao lado da dele. O filho entende sem explicação: ali se toma mate, e a vida fica para o almoço.

Para fechar as contas, o sp9 arruma um segundo emprego, de vigia noturno duas vezes por semana. Os quarenta minutos viram dez, e a cuia passa a viajar: térmica embaixo do braço, mate tomado no ponto e no banco do fundo do ônibus das cinco e meia. O ritual encolheu, mas não falhou um dia.

02

Como ele tinge o vício emocional do tipo

  • O vício emocional do tipo se expressa para fora através do instinto
  • Contratipo: o vício emocional se volta contra si mesmo

O esquecimento de si, que acha mais seguro não querer nada em voz alta, faz o sp9 repetir por dois verões que o quarto precisa de ar-condicionado, por causa do calor. Quando o aparelho chega, ele passa a dormir uma hora depois do almoço, de porta fechada, e acorda de outro humor. A vontade de sesta entrou em casa vestida de necessidade.

A filha avisa no almoço que vai morar em Dublin em março. Ele diz “que bom” e pede o sal. No sábado vai à loja e volta com uma panela elétrica de oito funções e passa o domingo inteiro lendo o manual. Apetite, ele teve, e foi todo para a churrasqueira; à filha, nenhuma pergunta.

A mulher viaja uma semana para cuidar da irmã, e pela primeira vez em trinta anos a casa é só dele. Ele passa as noites na novela que ela acompanha, no mesmo canal, no mesmo horário, porque não sabe o que ele mesmo gostaria de ver. Na sexta, ela liga e pergunta o que ele andou fazendo; ele conta o capítulo.

03

Em que se diferencia dos outros dois do mesmo tipo

  • Esta página
  • Contratipo

so9, participação

Contratipo

Discussão na mesa do sp9 ou do so9 não chega à sobremesa. Uma chuva derruba os postes e a rua fica três dias sem luz. O sp9 enche as garrafas de água, acende uma vela na cozinha e janta na hora de todo dia, como se nada tivesse acontecido. O so9 monta na calçada um fogão a lenha com tijolos e cozinha a carne que ia estragar nas geladeiras da rua, e a vizinhança come junta dois dias seguidos. Faltando luz na rua toda, o que põe você de volta no eixo: a casa funcionando como sempre ou a calçada cheia?

sx9, fusão

Como o sp9, o sx9 pede no restaurante novo o prato que já conhece. A mulher de cada um se apaixona por pescaria e passa a sair de barco nos fins de semana, antes do sol. O sp9 ajuda a separar as iscas na véspera e fica em terra com o rádio ligado, esperando o peixe para limpar. O sx9 arranja uma vara, enjoa nas três primeiras saídas e vai a todas. Diante de uma paixão nova de quem você ama, você espera em terra ou sobe no barco?

04

O lugar na ordem e o instinto deixado de lado

  1. sp/so/sx
    1. sp
    2. so
    3. sx
  2. sp/sx/so
    1. sp
    2. sx
    3. so

Com este instinto como principal, há duas ordens possíveis

Desde solteiro, o sp9 vê os jogos do time da cidade em pé na geral, com a turma do serviço. Quando o estádio abre cadeiras cobertas, com encosto, ele compra a dele no primeiro dia; a escolha é da autopreservação, a principal nele. No intervalo, come o pastel sozinho e acena para a turma, do outro lado do campo.

Na firma, a mudança do setor para outro prédio corre um mês pelo cafezinho, e o sp9, que não sai da mesa, é o último a saber. No prédio novo, as mesas da janela já têm dono; sobra para ele a da impressora. O esquecimento de si nem sente falta da notícia, e o cafezinho é território do instinto deixado de lado nele, o social.

A mulher do sp9 corta curta a trança que usava havia vinte anos e passa o jantar esperando. Ele comenta o frio e o jogo de domingo; só repara no cabelo três dias depois, quando ela pergunta. Outra ordem é possível, e nela o deixado de lado é justamente o que olharia, o sexual; o esquecimento de si também se esquece de olhar.

05

O que o teste mostra

  1. Tudo se abriu: subtipo e ordem completa

  2. O segundo e o deixado de lado quase empatam: subtipo sem a ordem

  3. O principal e o segundo quase empatam: dois candidatos

Entre os quatro resultados, o instinto é o que este teste mede com menos precisão, e não escondemos isso. Em cerca de metade das pessoas a diferença não se abre, e aí mostramos dois candidatos em vez de um. Briga, o sp9 evita; no impasse, cede rápido; paz, quer para todo mundo, e assina embaixo de tudo isso. Só que essas frases falam de gente, e gente é assunto do social, embora o que elas protegem seja o descanso do próprio corpo dele. Por isso o resultado pode mostrar dois candidatos, o sp9 e o so9, sem um vencedor claro.

06

Perguntas

Se do jeito que está está bom, como saber se falta alguma coisa?

A pergunta “o que eu quero?” fica sem resposta de barriga cheia e cama boa: o corpo manda o relatório de que está tudo certo, e o assunto morre ali. Um caminho mais curto passa pelo que irritou você no último mês, o barulho do vizinho, a reunião que comeu o almoço. Às vezes, aquela irritação miúda é um desejo que não teve vez.

Por que, nas férias, só quero ficar em casa à toa, e a família se ofende?

As férias são a primeira chance do ano de acertar o corpo: dormir até tarde, não passar frio, não correr para lugar nenhum. Para quem esperou o ano por passeios, isso parece desfeita. Funciona combinar antes quantos dias são de preguiça oficial e qual dia é da família, com passeio e tudo.

Por que passo semanas sem ligar para os amigos, mesmo gostando deles?

Para ligar, é preciso sair do sofá por dentro: arrumar a voz, achar o que dizer, aguentar a notícia que talvez peça alguma coisa. Sem esse empurrão, as semanas passam mansas, e o amigo vai ficando longe sem briga nenhuma. Presa a um hábito, como a volta do mercado no sábado, a ligação dispensa vontade.

Por que é mais fácil aguentar um incômodo do que pedir para mudar?

O corpo resolve antes da boca: fecha a janela, põe um casaco, se acostuma com a luz do poste. Pedir, ao contrário, abre uma conversa em que alguém pode dizer não, e isso pesa mais do que o próprio incômodo. Treinar com miudezas, uma por semana, ditas em voz alta, mantém o pedido em uso.

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