enneagramwing

Subtipo instintivo

Eneagrama tipo 5 social (so5): a obra vai na frente

Totem? Logo no so5, e totem é tudo o que um 5 evita ser: alto, visível, no meio da praça. Imagine numa sala as vinte pessoas que mais entendem do seu assunto: a maioria já leu alguma coisa sua, e você leu tudo delas. A menos que o teste tenha errado, este 5 fica no meio de gente sem se gastar com ela, enquanto os irmãos de tipo se guardam em casa ou para uma pessoa.

  1. principal
  2. segundo
  3. deixado de lado

O código não diz, dos outros dois, qual é o segundo e qual é o deixado de lado

01

O que este instinto protege

  • spcuido do que é meu
  • sosei onde estou entre as pessoas
  • sxme ligo um a um

Com um cavaquinho que quase não toca, o so5 senta no mesmo lugar da roda de choro da praça. Quando o flautista esquece a segunda parte de um choro, a roda inteira se vira para ele; ele cantarola a frase, devolve a música e volta ao silêncio. O lugar dele na roda vem do que ele sabe, não de simpatia: só assim esse 5 aceita um lugar entre os outros.

Chega à roda um estudante de música com a partitura impressa de cada choro, e por duas semanas ninguém olha para o so5 quando a memória falha. Na terceira, ele corrige uma nota do rapaz diante de todos, e quem está errado é ele. Passa um mês sem cantarolar. Volta numa valsa antiga que não está em papel nenhum, e o rapaz, de partitura inútil na mão, se vira para ele.

Aos cinquenta e oito anos, o ouvido direito começa a perder os agudos, e a flauta das gravações antigas vira um chiado. O so5 não para de transcrever. O neto ensina a baixar a velocidade das gravações no computador, e ele passa a ouvir os choros na metade da velocidade, frase por frase, até a página sair certa.

02

Como ele tinge o vício emocional do tipo

  • O vício emocional do tipo se expressa para fora através do instinto
  • Contratipo: o vício emocional se volta contra si mesmo

Sábado sim, sábado não, a pasta do so5 chega à roda antes da conversa: vinte cópias da partitura do dia, com o tom de cada instrumento anotado à mão. Ele distribui, toca duas músicas lá no fundo e vai embora antes da cerveja. A avareza, que solta a presença dele a conta-gotas, deixa na roda tudo o que ele sabe e quase nada do que ele é.

Totem: uma assinatura, J. M., Campinas, no pé de cada transcrição que circula nas rodas de São Paulo e de Minas. Músico que pega uma partitura assinada assim toca sem conferir, e a roda confia nessa assinatura mais do que em qualquer gravação.

A Câmara de Campinas aprova uma medalha de mérito cultural pelas quatrocentas transcrições. Na noite da sessão solene, quem sobe para receber é o neto. O so5 assiste em casa, pela transmissão da TV Câmara, de chinelo e com o caderno no colo, e quando o apresentador chama o nome dele, abaixa o volume.

03

Em que se diferencia dos outros dois do mesmo tipo

  • Esta página
  • Contratipo

sp5, refúgio

É na varanda vazia que a sp5 e o so5 vão parar em toda reunião de família, e logo na chegada. Um corte na empresa tira o emprego da sp5 e do so5. Enquanto a sp5 abre a planilha da casa, vê que dá para atravessar o ano sem pedir nada a ninguém e dorme bem na mesma noite, o so5 só dorme bem na quinta, quando três pessoas do ramo ligam, cada uma com um serviço para ele. O que devolve o sossego depois de um corte assim, o que você guardou ou quem do seu ramo lembrou de você?

sx5, confidência

Contratipo

As estantes do so5 e do sx5 têm livros riscados a lápis em todas as margens. Num jantar, alguém pergunta a cada um como vai a vida. O so5 dá uma notícia do ramo, curta e exata: o artigo que saiu, o colega que trocou de laboratório. O sx5 diz “tudo certo” e deixa a verdade para depois, para uma pessoa só, no caminho de casa. Para você, responder a um “como vai?” é contar o que anda estudando ou, a uma pessoa, o que anda sentindo?

04

O lugar na ordem e o instinto deixado de lado

  1. so/sp/sx
    1. so
    2. sp
    3. sx
  2. so/sx/sp
    1. so
    2. sx
    3. sp

Com este instinto como principal, há duas ordens possíveis

O amigo de infância do so5, de mudança para Portugal, faz a despedida no mesmo sábado em que a roda grava o disco com as transcrições dele. O sábado é do social, que nele é o principal: ele grava. O amigo embarca na segunda, e o abraço fica para uma chamada de vídeo, meses depois.

Os discos de 78 rotações que o so5 junta há trinta anos ficam num quarto úmido nos fundos. Enquanto ele transcreve para os outros, o mofo come duzentos deles. A autopreservação, que numa das ordens possíveis é a deixada de lado, nem lembra o que guarda ali; a avareza poupa o tempo para o que a roda vai ouvir, e o que só ele ouve apodrece.

O filho de dezesseis anos pede ao pai aulas de cavaquinho, só os dois. O so5 diz que a melhor escola é a roda de sábado e leva o menino. O menino vai duas vezes, fica num canto e, na terceira, inventa uma prova. A outra ordem possível tem o sexual como deixado de lado; a avareza ofereceu ao filho uma roda, não uma noite a sós.

05

O que o teste mostra

  1. Tudo se abriu: subtipo e ordem completa

  2. O segundo e o deixado de lado quase empatam: subtipo sem a ordem

  3. O principal e o segundo quase empatam: dois candidatos

Entre os quatro resultados, o instinto é o que este teste mede com menos precisão, e não escondemos isso. Em cerca de metade das pessoas a diferença não se abre, e aí mostramos dois candidatos em vez de um. Economia é a palavra que mais volta nas respostas do so5: de energia, de noites livres, de visita em casa. Ele poupa para o próprio ofício e para os poucos que entendem do que ele fala, mas “gente em casa me cansa” serve igual a quem só quer sossego, e economia, assim, soa como autopreservação. Com isso, o resultado pode trazer dois candidatos, e o so5 nem sempre vem primeiro.

06

Perguntas

Por que preciso de uma semana de silêncio depois de um bom congresso?

O congresso pode ter sido o melhor do ano e, ainda assim, sair caro: crachá no peito o dia todo, gente nova no intervalo, o jantar que não dá para recusar. O prazer da palestra mora num lugar e o cansaço, em outro, e um não repõe o outro. Os dias de silêncio depois são pagamento, e cabem na agenda antes do embarque.

Por que me tira do sério quando falam mal do meu professor?

O seu lugar entre os colegas veio do trabalho, e foi o professor quem abriu a porta daquele ofício e daquela turma. Uma frase descuidada sobre ele mexe no chão em que o seu nome está apoiado, como uma dúvida sobre a assinatura do seu trabalho. A resposta sai do tamanho do chão, e não do tamanho da frase.

Por que elogio me constrange e uma citação do meu trabalho me alegra?

O elogio cara a cara cobra resposta na hora: sorriso, palavra certa, alguns minutos no centro da roda, e tanta presença esgota. A citação reconhece o mesmo trabalho e não pede nada em troca: o seu nome já está lá, e a alegria pode ser saboreada em casa, no seu horário, sem plateia.

Por que sei o nome de todo mundo da minha área e não sei o dos vizinhos?

Você sabe quem defendeu tese sobre o seu tema em 2019 e não sabe o nome de quem mora em frente. Atenção sai contada como moeda, e a sua vai para onde se decide se você tem lugar entre os seus pares. O vizinho, por mais simpático, não vota nessa eleição.

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