enneagramwing

Subtipo instintivo

Eneagrama tipo 5 sexual (sx5): tudo para um só

No sx5, a palavra é confidência, justamente o que você talvez negue a quase todo mundo. Mesmo assim, existe uma pessoa que sabe de você coisas que nem o seu médico sabe. Ainda pode ser engano do teste; se não for, o que acontece com tudo o que você guarda quando essa pessoa chega?

  1. principal
  2. segundo
  3. deixado de lado

O código não diz, dos outros dois, qual é o segundo e qual é o deixado de lado

Contratipo: o vício emocional se volta contra si mesmo

01

O que este instinto protege

  • spcuido do que é meu
  • sosei onde estou entre as pessoas
  • sxme ligo um a um

Ao entardecer, a sx5 fecha o computador e vai para a varanda com Wellington, guarda-vidas na praia do Calhau, que chega com cheiro de sal. Ficam uma hora vendo a maré subir. Diante dele, e só dele, ela não se prepara antes de abrir a boca. Ela vive de reserva, como todo 5, e ali encontra a única companhia que não pesa.

Quando a irmã de Wellington se separa e vem morar com eles, com dois filhos pequenos, a casa enche e a hora da varanda some. A sx5 aluga um quartinho a duas ruas dali, com duas cadeiras e um ventilador, e quarta e domingo à noite os dois vão até lá só para conversar.

Uma crise de labirintite deixa a sx5 três semanas presa à cama: se levanta, o quarto gira. Recusa visita da irmã, recusa a chamada da equipe, recusa a sopa da vizinha. Wellington é o único que entra no quarto sem pedir licença, e é com ele que ela fala, deitada, o pouco que dá para falar.

02

Como ele tinge o vício emocional do tipo

  • O vício emocional do tipo se expressa para fora através do instinto
  • Contratipo: o vício emocional se volta contra si mesmo

Numa caixa de sapato no fundo do armário, a sx5 guarda seis anos de Wellington: ingresso de cinema, a pulseira do primeiro show, um guardanapo com o desenho de uma tartaruga. Ninguém sabe que a caixa existe, nem ele. A avareza, que não larga nada do que é dela, achou nele o que guardar, e guarda escondido.

Wellington sabe três coisas que nem a mãe dela sabe: o vestibular de medicina que ela entregou em branco de propósito, o nome do homem que a fez largar o primeiro emprego e o medo de mar aberto, que ninguém no trabalho imagina. A irmã sabe que ela gosta de azul; o resto vai, em confidência, para um endereço só.

Wellington dança há vinte anos num grupo de bumba meu boi de São Luís. A sx5, que foge de qualquer festa, passa quatro meses de ensaios ao lado dele, aprende todas as toadas e vai a cada apresentação, do batizado à morte do boi, no meio do povo, sem faltar uma noite. Na última, perde a voz cantando. A avareza tranca a presença de um 5 para quase todo mundo. Nela, o sexual destranca tudo, mas para um só.

03

Em que se diferencia dos outros dois do mesmo tipo

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  • Contratipo

sp5, refúgio

Dá para achar a sp5 e a sx5 em qualquer reunião: estão na cadeira mais próxima da saída. O sofá da sala, enfim, precisa ser trocado. A sp5 escolhe um de dois lugares, firme, sob a luz de leitura, para ela e mais ninguém. A sx5 escolhe um sofá-cama largo e macio, pensado para os domingos de filme com uma pessoa só e para as noites em que essa pessoa fica. Em que você pensa ao mobiliar a casa: em não precisar de ninguém ou em caber uma pessoa?

so5, totem

O so5 e a sx5 pesquisam antes de perguntar. A avó deixa de herança a receita do arroz de cuxá. O so5 escreve a receita com medidas exatas, fotografa cada etapa e publica no site da associação de cozinha maranhense, onde ela vira referência. Já a sx5 não põe a receita no papel: faz o arroz para uma pessoa só, aos domingos, e conta, enquanto cozinha, a história da avó que mais ninguém ouviu. Para quem vai o que você aprendeu de mais seu, para os que sabem dar valor ou para uma pessoa à mesa?

04

O lugar na ordem e o instinto deixado de lado

  1. sx/sp/so
    1. sx
    2. sp
    3. so
  2. sx/so/sp
    1. sx
    2. so
    3. sp

Com este instinto como principal, há duas ordens possíveis

A família inteira da sx5 passa o Natal em Imperatriz, com a avó de noventa e dois anos, talvez o último. Wellington trabalha na praia no dia 25: guarda-vidas não folga em feriado. Ela fica com ele e passa a noite de Natal num quiosque fechado da praia do Calhau, sem ceia nem família. A ordem dela começa pelo sexual, o principal.

O perfume que Wellington deu à sx5 nos seis meses de namoro continua lacrado, seis anos depois, “para uma ocasião”. Os lençóis bons esperam no maleiro; ela dorme nos velhos, com um furo no canto. A autopreservação fica deixada de lado nela, e a avareza guarda o melhor para um depois que não chega.

Os colegas guarda-vidas de Wellington acham a sx5 metida: em seis anos, foi a duas festas e falou só com ele. Quando a turma organiza a viagem a Barreirinhas, Wellington não é chamado: “a tua mulher não gosta da gente”. Há também a ordem em que o social fica deixado de lado, e a avareza guarda tudo para ele, nada para os amigos dele.

05

O que o teste mostra

  1. Tudo se abriu: subtipo e ordem completa

  2. O segundo e o deixado de lado quase empatam: subtipo sem a ordem

  3. O principal e o segundo quase empatam: dois candidatos

Entre os quatro resultados, o instinto é o que este teste mede com menos precisão, e não escondemos isso. Em cerca de metade das pessoas a diferença não se abre, e aí mostramos dois candidatos em vez de um. Horas sozinha, energia poupada e uma rotina em que ninguém mexe sem combinar são as três coisas que a sx5 defende nas respostas. O que ela protege com isso é o espaço que guarda para alguém, mas defender tempo e energia é, nas palavras, o próprio idioma da autopreservação. O sexual, que é o principal dela, pode então vir avisando que a certeza é baixa.

06

Perguntas

Por que não tenho amigos “mais ou menos”?

Amizade morna exige um cálculo a cada encontro: quanto contar, onde parar, quando inventar o compromisso para sair. Com a pessoa de dentro, não há cálculo; com os de fora, a resposta já está dada, e é quase nada. É o meio que dá trabalho, e o trabalho empurra cada conhecido para um dos lados.

Por que meus laços mais fortes funcionam melhor à distância?

À distância, cada conversa é uma visita: dá tempo de arrumar a casa por dentro antes de abrir a porta, e a mensagem sai quando há o que dizer e força para dizer. De perto, a vida comum chega sem aviso e pede presença inteira a qualquer hora. Isso não diminui o laço; mostra onde ele respira melhor.

Por que uma briga com quem amo me derruba por dias, e no trabalho não?

No trabalho, a briga gasta uma porção que já estava separada para isso. Em casa, ela fecha justamente a fonte: a pessoa com quem a força volta em vez de sair. Daí a semana derrubada, mais pelo caixa vazio do que pela mágoa. Dizer que ainda dói e que você continua ali reabre a fonte mais rápido do que esperar o assunto esfriar.

Como pedir um tempo só meu a quem amo sem que pareça rejeição?

O que você recarrega a sós é o que depois chega a essa pessoa, e vale dizer isso com essas palavras. Dê ao tempo uma forma visível, hora de começar, hora de acabar, um sinal como o fone no ouvido, para que a pausa tenha fim à vista. Assim, ela vira combinado, sem cara de sumiço.

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